Dizia um amigo,
misógino ou extremamente machista, que — diferentemente de cães e cadelas,
touros e vacas, carneiros e ovelhas — homens e mulheres, apesar de poder
cruzar, deviam pertencer a gêneros e espécies diferentes. Ele sugeria até
denominações científicas: Homo sapiens e
Femina insapiens.
A ideia não se baseava nas
características físicas secundárias inerentes a cada sexo mas nos hábitos e
gostos, que são diametralmente opostos. Sem assumir qualquer responsabilidade
sobre a sua divulgação, transcrevo alguns que ele considerava indiscutivelmente
exclusivos das mulheres, pelo menos das que conhecia e eventualmente detestava:
- tomar táxi em ponto de ônibus;
- não dar gorjeta a taxista;
- confiar em dedetização com massa;
- desconfiar de bombeiro hidráulico;
- encher o banheiro de frascos, potes e sprays;
- mandar pintar a casa com tinta “preparada” e depois
reprovar;
- pagar operário 6ª-feira à noite com cheque nominal e
cruzado;
- demorar-se em caixa automática falando ao celular,
contando o dinheiro, guardando o cartão numa carteira e o saque noutra;
- mandar trocar segredo de fechadura;
- escolher puxador de armário em loja cheia;
- começar um papo com “Estive pensando...”;
- olhar para cima quando vai mentir;
- tomar café-com-leite ou chá em caneca;
- reclamar de empregada doméstica e/ou de diarista;
- ao precisar de um favor, perguntar ”Você não quer
fazer isso p’ra mim?” Tipo: (1) trocar um pneu na Av. Brasil em noite de chuva
ou (2) servir de fiador do apartamento que está por alugar...
- pôr o isqueiro
dentro do maço de cigarros;
- pôr fósforo riscado
dentro da caixa;
- carregar
agenda bem pesada e inútil;
- entrar em
botequim só p’ra trocar dinheiro;
- desdenhar o que está no cardápio do restaurante;
- comer rúcula, tomate seco, ricota e granola;
- fazer questão
de vinagre balsâmico;
- fazer questão de
vinagre balsâmico;
- provar roupa
na loja, desaprovar em casa e trocar;
- apelar para o
Código de Defesa do Consumidor;
- dizer “ai-ai” depois de rir;
- dizer “eu não
mereço” antes de chorar;
- chorar; chorar
à toa;
- olhar para o
alto antes de mentir;
- morder os lábios
depois de mentir;
- apossar-se do
controle remoto da TV;
- ver novela e
dizer que detesta novela;
- ler livros de
auto-ajuda;
- acreditar
neles e recomendá-los;
- dizer que
gosta de Fernando Pessoa.;
- acusar o
marido de mijar fora do vaso;
- instalar o
rolo de papel higiênico ao contrário.
Crônica Machista paca!
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